Andy “Beezer” Beese: conheça o fotógrafo que registrou o início da Cultura Sound System de Bristol

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Iquator Sound System, St Paul's Carnival - Foto: Andy “Beezer” Beese

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Nos anos 1980, enquanto Londres ainda dominava as manchetes da música britânica, outras cidades começaram a se destacar. Manchester tinha a euforia da Hacienda; Bristol, por sua vez, era o epicentro de uma cena marcada pelo reggae, soul, hip-hop, grafite e pelo nascimento de uma estética sonora que viria a ser conhecida como Bristol Sound – o começo do trip hop.

Foi nesse ambiente que Andrew “Beezer” Beese encontrou sua vocação. Beezer nasceu em Bristol, em 22 de outubro de 1965, o caçula de cinco irmãos em uma cidade portuária que se tornaria palco de uma revolução cultural. Amigo de infância da crew The Wild Bunch — que mais tarde daria origem ao Massive Attack —, ele se tornou o fotógrafo que documentou uma das fases mais férteis da cultura underground local. Suas lentes capturaram os primeiros passos de uma geração que transformaria a música mundial.

Foto de Andy Beezer – Reprodução/Facebook

“Saí da escola com notas baixas porque passava mais tempo nas ruas do que estudando”, relembra Beezer para o site Bristol Archive Records. Ainda adolescente, entrou em um curso de audiovisual no colégio técnico de Bristol. Ali, pegou emprestada sua primeira câmera e passou a registrar tudo ao redor: festas, grafittis, sound systems, marchas políticas e a efervescência de uma juventude que se reinventava em meio às dificuldades econômicas do governo de Margareth Thatcher.

Foto de Andy Beezer – Jah Revelation amplificando Aswad, 1984

Aos 12 anos, Beezer já se infiltrava nos bastidores para encontrar ídolos como o The Clash. Aos 14, passava madrugadas em festas de reggae e dub. Aos 16, frequentava shows de Mark Stewart e seguia seus amigos DJs — que logo formariam o lendário Wild Bunch. Com a chegada dos toca-discos Technics no começo dos anos 80, a cena explodiu.

As imagens desse período, muitas em preto e branco, são espontâneas, cheias de energia e intimidade. Beezer não era um fotógrafo distante, mas parte da cena: revelava seus filmes em casa e mostrava as fotos no dia seguinte aos próprios retratados. O resultado é um acervo visceral que reflete a atmosfera descontraída e, ao mesmo tempo, transformadora de Bristol.

Andy Beezer Beese – Reprodução/Instagram

Em 2004, esse material ganhou o mundo com o livro Wild Dayz, lançado em Tóquio. A obra reúne 220 fotos originais e se tornou um documento raro sobre uma juventude que, sem saber, moldava estilos de vida e estéticas que depois invadiriam o mainstream. Cinco anos depois, a edição britânica pela Tangent Books trouxe novas imagens e legendas, além de trabalhos inéditos de 3D, do Massive Attack.

Agora, Beezer revisita seu arquivo no novo livro Until Now: Volume I: A Life in Photos 1982–1986. Entre registros de nomes como Louie Vega e Gil Scott-Heron, a obra retrata os carnavais de St. Paul’s, sound systems improvisados em armazéns, festas ilegais que reuniam centenas de pessoas, DJs, grafiteiros e os movimentos de contracultura que redefiniram a juventude britânica.

BEEZER Until Now: Volume I: A Life in Photos 1982-1986

Em colaboração com a PC Press, Beezer está agora publicando seu arquivo fotográfico completo pela primeira vez com Until Now: A Life in Photos: Volume I: 1982 – 1986: Book Alpha e Beta 2, volumes conectados que estarão disponíveis para encomenda a partir de 10 de setembro de 2025.

O primeiro volume da série é um arquivo ricamente ilustrado com imagens dos primeiros dias de Beezer, traçando a ascensão da explosiva cena musical de Bristol, noites em clubes, arte de rua e forças musicais, contraculturais e políticas proeminentes da época, incluindo Gil Scott Heron, Robert Del Naja (Massive Attack), Pulp, Ari Up, Nurat Fateh Ali Khan, The Wild Bunch, Fearless Four, Neil Kinnock e figuras importantes da música e da cultura, como Ari Up (The Slits), Mark Stewart (The pop group e Mark Stewart and the Maffia), Adrian Sherwood, Andi Oliver, Miquita Oliver, Keith Allen, Kevin Allen e muitos outros. Beezer captura o dinamismo social e cultural de Bristol através de suas imagens de protestos políticos e da própria cidade, com a comunidade e a famosa cena club local em seu centro.

O primeiro volume será seguido pelo Volume II, que mostra os anos de Beezer em Londres e Nova York, e pelo volume final, que narra seu trabalho e sua vida em Tóquio de 2005 até agora. Cada um dos livros será lançado com uma série de exposições e eventos acompanhantes.

O trabalho de Beezer já foi destaque em alguns dos jornais e publicações musicais mais proeminentes, incluindo NME, VICE, NPR, The Observer, The Guardian e outros. Suas imagens também foram apresentadas em documentários da BBC e da Dazed sobre a cena musical de Bristol, James Lavelle e Banksy.

Durante sua extensa carreira, Beezer fotografou alguns dos nomes mais icônicos da música, moda e muito mais, incluindo Vivienne Westwood, Tricky, Frankie Goes To Hollywood, George Clinton, Futura e outros. Seu trabalho foi exibido em todo o mundo em exposições, incluindo Beyond the Streets na Saatchi Gallery, The Vanguard no Bristol M Shed Museum, The Streets of Beezer no The Mount Without, Diesel Gallery, Tower Records, HMV Tokyo e Bristol Museum.

Mais informações sobre o livro no site da PC Press.

Reprodução/Facebook

Do punk à cultura sound system, passando pelo grafite e pela contracultura urbana, Beezer tem o dom de estar no lugar certo, na hora certa — e, sobretudo, de saber olhar. Suas imagens não apenas registraram uma cena, mas ajudaram a eternizar um dos momentos mais criativos e decisivos da música contemporânea.

 

 

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