Conheça Keznamdi, ganhador do Grammy 2026 de Melhor Álbum de Reggae
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O artista jamaicano Keznamdi, uma das potentes vozes da cena contemporânea do reggae, venceu o Grammy Awards de Melhor Álbum de Reggae na 68ª edição da cerimônia realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos, por seu disco BLXXD & FYAH, lançado em agosto de 2025.
O álbum foi o escolhido entre cinco finalistas da categoria, que neste ano contou exclusivamente com representantes jamaicanos e também incluíam: Lila Iké – Treasure Self Love (Ineffable Records), Vybz Kartel – Heart & Soul (Vybz Kartel Muzik / Greedy Lion), Mortimer – From Within (Easy Star Records) e Jesse Royal – No Place Like Home (Easy Star Records).
Nascido em Kingston, Jamaica, Keznamdi cresceu cercado por música, com seus pais – Dr. Kerida ‘Goldilocks’ McDonald e Errol McDonald – como vocalistas da banda de reggae Chakula (P.S.: Keznamdi também é irmão da cantora Kelissa, outro grande nome da nova geração do reggae jamaicano). Aos cinco anos, contribuiu com sua primeira faixa, “Mix A Color”, para a coletânea infantil Save the World, chamando atenção localmente. Compromissos profissionais levaram a família para a Tanzânia e, aos 12 anos, seus olhos se abriram rapidamente para a importância de uma formação global. “Meus pais me mostraram o mundo. Vi muitas culturas diferentes e experimentei idiomas, comidas, religiões e pessoas distintas. Isso me fez crescer.”
Quatro anos depois, ao se mudar para a Etiópia, continuou absorvendo a cultura africana antes de finalmente se estabelecer na Califórnia para cursar a faculdade St. Mary’s, com bolsa de estudos em futebol. Após uma lesão que encerrou sua carreira esportiva, a música se tornou o foco central. Em 2013, lançou seu debut com o EP independente Bridging the Gap, que alcançou o 1º lugar tanto no iTunes Top Reggae Albums Chart quanto no Billboard Reggae Albums Chart. Aos poucos, construiu uma base de fãs com apresentações constantes pela Jamaica, mantendo uma produção prolífica.
Em 2015, ganhou destaque mundial ao colaborar com ZHU e A-Trak no hit crossover “As Crazy As It Is”, que ultrapassou 10 milhões de streams no Spotify. Coescrito com Poo Bear (Justin Bieber, Sam Smith), o single “Champion” rendeu a ele mais um #1 no reggae. A série de remixes “Stoner’s Remix” alcançou grande popularidade, especialmente com “Herbs” — sua releitura de “Work”, de Rihanna (feat. Drake) — que chamou a atenção de veículos como Pitchfork e The Fader. Em seguida, excursionou pelo norte dos Estados Unidos.
Em 2017, lançou o EP Skyline Levels, Vol. 1 e liderou sua própria turnê com ingressos esgotados, lotando casas de show por onde passou. O nome Skyline Levels é fundamental para entender como ele define sua música. O clipe de “Father Protect Me”, gravado em South Central Los Angeles, conta uma história poderosa.
Na sequência, o single triunfante do projeto, “Victory” (feat. Chronixx), ultrapassou 1,2 milhão de visualizações no YouTube e meio milhão de streams. Após uma série de projetos bem-sucedidos, dezenas de milhões de streams e aclamação da crítica, Keznamdi entregou uma obra definitiva com seu álbum de estreia, lançado em 2020, Bloodline. Ao longo de 2018 e 2019, ele gravou o disco na Jamaica, fez a mixagem em Miami e a masterização no Abbey Road Studios, em Londres. Nesse processo, sua visão se consolidou com ambição universal.
Em 2025, lançou seu premiado BLXXD & FYAH.
“A música é um serviço. Quero viver em serviço. Meu dever é mostrar às pessoas que, se você tem um sonho, acredita nele e trabalha duro, pode alcançá-lo. Quero ser um exemplo disso”, destaca o artista.
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Dani Pimenta é jornalista musical, DJ e produtora cultural. Está sempre atenta às tendências e novidades da música independente mundial. É fundadora e editora do Groovin Mood.
