A – Z: I-Roy
Roy Samuel Reid, morador de rua, morto em 1999 em decorrência de complicações cardíacas. I-Roy, um dos mais vultosos nomes da música jamaicana, pioneiro do reggae nos anos 1950 ao lado de mestres como Count Machuki. Em momentos distintos, do reconhecimento ao seu talento à morte em condições desumanas, Roy S. Reid, ou I-Roy como é mundialmente conhecido, deixou um dos mais importantes legados da história musical jamaicana.
O deejay/toaster I-Roy – inspirou-se em U-Roy – iniciou sua carreira ao lado de outros artistas de soundsystem, situação comum nas ruas jamaicanas das décadas de 1950/1960. Esses músicos passaram a chamar a atenção de produtores, principalmente após o sucesso de U-Roy, abrindo portas a outros deejays e toasters e permitindo que fossem contratados para gravações em estúdio.
Gravou para Bunny Lee, Glen Brown, Lee Perry, Gussie Clark, e em 1970 passou a ser parte da vanguarda de grandes DJ´s. Seu álbum de estréia, “Presenting I-Roy” (1973 – Trojan), é considerado um clássico, e foi o primeiro de uma série de álbuns sólidos e influentes. Em 1976, assinou contrato com a Virgin Records, onde gravaria diversos álbuns. Teve nessa época como banda de apoio The Revolutionaries (por onde já passaram Sly e Robbie, Tommy McCook, Ansel Collins…). Na década de 1980, com o surgimento do dancehall, a carreira de I-Roy começou a declinar. Ele não deixou de gravar, mas passou a produzir cada vez menos singles, caminhando assim para o fim de sua trajetória.
Parte curiosa da história de I-Roy é a conhecida “rivalidade” entre Roy e Prince Jazzbo, por meio da troca de desaforos musicais em canções como “Gal Boy I-Roy”, em que Jazzbo questiona a masculinidade de Roy, ou “Jazzbo Have Fe Run”, em que Roy faz piada com um acidente sofrido por Jazzbo. Apesar de terem se dedicado várias canções de teor nada carinhoso, os dois eram grandes amigos nos bastidores.
O fim da vida do artista foi de um padecimento atroz. Nos dez anos anteriores ao seu falecimento, I-Roy lutou contra uma doença desconhecida, que afetava seu sistema cardíaco e causava inchaço no coração, e nenhum médico soube precisar o diagnóstico correto. Leroy Mafia (Mafia & Fluxy) esteve na Jamaica para angariar fundos necessários ao tratamento médico de Roy, mas infelizmente não houve tempo hábil para aplicação dos recursos. Roy era dependente financeiramente de um de seus filhos, que foi morto na prisão na mesma época. O grande Roy Samuel Reid passou seus últimos dias como morador de rua, vivendo da caridade de outras pessoas, e lutando contra a doença desconhecida que o matou, em novembro de 1999.
(por Dani Pimenta)

