Stinging Ray une o reggae jamaicano à musicalidade chinesa em novo álbum, “The Man From Beijing”
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O músico chinês Liu Rui, conhecido como Stinging Ray, lança The Man From Beijing, álbum que aproxima a tradição do reggae jamaicano de elementos de sua própria experiência cultural. Com dez faixas, o disco foi produzido por Jericho para a Irie Ites Records e transita por roots reggae, lovers rock e diferentes vertentes da produção contemporânea do gênero.
Stinging Ray surgiu na cena hip-hop de Pequim, a partir do evento SECTION6, e é um dos fundadores da Dungeon Beijing, gravadora ligada ao rap da cidade. Ao longo dos anos, passou a se dedicar também ao reggae como cantor e DJ. Em 2018, tornou-se um dos fundadores e diretores da ChinaMan Yard, anteriormente conhecida como DB Bros Records, apontada como a primeira gravadora e distribuidora da capital chinesa dedicada ao reggae.

A relação com a cultura jamaicana também se desenvolveu por meio das festas organizadas por Stinging Ray e seus parceiros. Desde 2018, o grupo realiza eventos regulares de reggae em diferentes clubes de Pequim, incluindo o Bob Marley Day, evento realizado em parceria com a Embaixada da Jamaica na China.
Em The Man From Beijing, essa trajetória aparece tanto na sonoridade do reggae chinês quanto nos idiomas utilizados pelo artista. As músicas são cantadas em inglês, patois jamaicano e mandarim, enquanto as letras abordam temas como fé, liberdade, resistência, identidade e busca espiritual.
A faixa de abertura, “Chinaman Party”, estabelece desde o início a relação entre Pequim e Kingston. O disco segue por diferentes interpretações do roots reggae, passando pelo one-drop em músicas como “Stepper” e “My Rizla (Only Life I Know)”. Em “Mount Zion”, Stinging Ray divide os vocais com o cantor jamaicano Chezidek, em uma faixa marcada por referências à fé Rastafari, perseverança e força espiritual.
O álbum também alterna momentos de maior peso com outras abordagens. “Bird On The Wire” traz uma perspectiva mais romântica, enquanto “Forbidden Herbz” e “Don’t Let Dem” retomam temas de resistência e enfrentamento da opressão. Já “Drifter” e “To H.I.M I Run” tratam de identidade, deslocamento e procura por orientação espiritual. O disco termina com “No Remedy II”.
A edição digital acrescenta ainda seis versões dub: “No Remedy II”, “Mount Zion”, “Forbidden Herbz”, “My Rizla”, “Drifter” e “Don’t Let Dem”. As versões foram mixadas dentro da tradição da Irie Ites e ampliam o álbum para uma segunda leitura do ouvinte, mais voltada à linguagem do dub.
Para Stinging Ray, a música está diretamente ligada à construção de uma narrativa pessoal. Sua visão é de que cada canção funciona como um capítulo e cada álbum, como um livro, uma perspectiva que ajuda a entender The Man From Beijing não apenas como uma fusão entre o reggae jamaicano e o reggae chinês, mas também como o registro de um artista que encontrou no gênero uma nova linguagem para falar de sua própria trajetória.
Ouça:
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Dani Pimenta é jornalista musical, DJ e produtora cultural. Está sempre atenta às tendências e novidades da música independente mundial. É fundadora e editora do Groovin Mood.
