Rise and Shine: mais de vinte anos de reggae, comunidade e cultura sound system em Bolonha
Rise and Shine Sound System
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Este artigo, escrito por Johana Rodriguez, é resultado da oficina de jornalismo cultural realizada pela Fundación La Comadre (Colômbia) com Groovin Mood.
Em abril deste ano, realizamos, a convite da Fundación La Comadre, da Colômbia, como parte do projeto Escuela de Agitadorxs, uma oficina de jornalismo para pessoas interessadas em cultura e música. Neste artigo, que é resultado da oficina – e que você encontra também em espanhol logo a seguir – Johana Rodriguez aka Jo Ha Mc. fala do trabalho do coletivo Rise and Shine, da Bolonha, Itália, local onde a artista colombiana vive atualmente.
Mais de vinte anos depois de montar seu primeiro sound system, o Rise and Shine, coletivo da Bolonha, cidade universitária e capital histórica da região de Emília-Romanha, no norte da Itália, continua defendendo uma ideia que parece simples, mas que hoje se torna cada vez mais necessária: o reggae não se limita à música. É uma forma de construir comunidade.
Fundado em 2004 por Gabriele e Stefano, aos quais mais tarde se juntou Giacomo, o coletivo nasceu de uma amizade atravessada pelo amor ao roots reggae e ao dub. Com o tempo, esse interesse deixou de se concentrar apenas na seleção musical para se transformar em uma maneira de compreender a cultura sound system como um espaço de encontro, intercâmbio e resistência cotidiana.

“Desde o início quisemos difundir uma mensagem de unidade, amor e igualdade por meio da profundidade espiritual da música roots”, explicam.
Essa ideia continua sendo o eixo de seu trabalho. Embora rejeitem definir seu projeto como uma iniciativa política em sentido partidário, reconhecem que os valores transmitidos pelo reggae têm, inevitavelmente, uma dimensão social.
“As mensagens que compartilhamos — unidade, amor e igualdade — têm uma dimensão social muito forte. O roots reggae nasceu com uma profunda consciência coletiva, e esse aspecto continua sendo central em nossa trajetória.“
Não é por acaso que essa visão tenha encontrado espaço em Bolonha. Há décadas, a cidade mantém uma intensa vida cultural independente, onde centros sociais, espaços autogeridos e coletivos musicais permitiram que cenas como o reggae e o dub se desenvolvessem de forma contínua. Soma-se a isso a presença de comunidades migrantes, especialmente africanas, que enriqueceram o tecido cultural da cidade e contribuíram para manter vivo o diálogo com as raízes dessa música.
Para o coletivo, essa relação continua sendo fundamental.
“O reggae nasce de raízes muito específicas, e o diálogo com as comunidades africanas e caribenhas é essencial para manter viva sua autenticidade e seu significado.“
Esse intercâmbio também se reflete na própria cena de Bolonha, que eles descrevem como uma das mais ativas da Itália graças à colaboração permanente entre diferentes crews e à existência de espaços que continuam apostando em projetos independentes.
Mais do que as sessões, o que realmente define a cultura sound system é o sentimento de pertencimento que ela gera.
“Para nós, significa fazer parte de uma comunidade que vai muito além da música. É um caminho que percorremos há mais de vinte anos e que moldou nossa forma de pensar, de nos relacionar e de viver. O sound system não é apenas um equipamento de som ou uma sessão; é compartilhar, criar vínculos e construir espaços onde as pessoas possam se reconhecer e se sentir parte de algo.“
Essa concepção também acompanhou a evolução da cena italiana ao longo das últimas duas décadas. Quando começaram, lembram, predominavam as festas de dancehall e os shows ao vivo. Com o passar dos anos, as sessões de roots e dub foram ganhando espaço até formar um cenário muito mais diverso, onde diferentes estilos convivem dentro de uma mesma cultura.

Nesse percurso, houve uma compreensão que acabou definindo o rumo do coletivo. “Entendemos que o reggae e o dub precisam do sound system para se expressarem plenamente. Ele é seu instrumento natural, da mesma forma que a voz é para um cantor.”
Essa certeza mudou a forma como passaram a encarar o projeto. O sistema deixou de ser um simples meio de reprodução sonora para se tornar uma ferramenta cultural capaz de transmitir uma linguagem, uma história e uma forma de se relacionar com o público.
Apesar da vitalidade da cena, os desafios continuam sendo significativos. Para eles, o principal não está relacionado ao som nem à tecnologia, mas ao acesso a espaços onde essa cultura possa continuar se desenvolvendo.
“O grande desafio é recuperar espaços culturais e sociais adequados. A cultura sound system nasceu nas ruas e tem um espírito profundamente comunitário. Acreditamos que ela deve continuar acessível a todas as pessoas e não ficar restrita apenas aos clubes.“
A essa realidade soma-se a fragilidade enfrentada por muitos projetos independentes na Itália. “Existe pouco apoio para a cultura e para a música, e o menor poder aquisitivo do público torna cada vez mais difícil sustentar projetos underground no longo prazo.”

Mesmo assim, depois de mais de duas décadas, o coletivo continua convencido de que o valor do sound system não depende apenas da potência de suas caixas nem da intensidade de seus graves. Está na capacidade de reunir pessoas em torno de uma mesma vibração, de fortalecer vínculos entre gerações e comunidades e de lembrar que o reggae continua sendo uma linguagem viva quando preserva sua dimensão coletiva.
Em uma época marcada pelo consumo individual da música, sua aposta continua sendo a mesma de 2004: fazer do sound system um espaço onde o som também construa comunidade.
(Versão em espanhol)
Más de veinte años después de levantar su primer sound system, este colectivo de Bolonia sigue defendiendo una idea que parece sencilla, pero que hoy resulta cada vez más necesaria: el reggae no se limita a la música. Es una forma de construir comunidad.
Fundado en 2004 por Gabriele y Stefano, a quienes más tarde se sumó Giacomo, el colectivo nació de una amistad atravesada por el amor por el roots reggae y el dub. Con el tiempo, ese interés dejó de centrarse únicamente en la selección musical para convertirse en una manera de entender la cultura sound system como un espacio de encuentro, intercambio y resistencia cotidiana.
“Desde el principio quisimos difundir un mensaje de unidad, amor e igualdad a través de la profundidad espiritual del roots music”, explican.
Esa idea continúa siendo el eje de su trabajo. Aunque rechazan definir su proyecto como una iniciativa política en un sentido partidista, reconocen que los valores que transmite el reggae tienen inevitablemente una dimensión social.
“Los mensajes que compartimos -unidad, amor e igualdad- tienen una dimensión social muy fuerte. El roots reggae nació con una profunda conciencia colectiva y ese aspecto sigue siendo central en nuestro camino.”
No es casual que esa visión haya encontrado un lugar en Bolonia. La ciudad mantiene desde hace décadas una intensa vida cultural independiente, donde centros sociales, espacios autogestionados y colectivos musicales han permitido que escenas como el reggae y el dub se desarrollen de forma constante. A ello se suma la presencia de comunidades migrantes, especialmente africanas, que han enriquecido el tejido cultural de la ciudad y han contribuido a mantener vivo el diálogo con las raíces de esta música.
Para el colectivo, esa relación sigue siendo fundamental.
“El reggae nace de unas raíces muy concretas y el diálogo con las comunidades africanas y caribeñas es esencial para mantener viva su autenticidad y su significado.”
Ese intercambio también se refleja en la propia escena boloñesa, que describen como una de las más activas de Italia gracias a la colaboración permanente entre diferentes crews y a la existencia de espacios que continúan apostando por proyectos independientes.
Más allá de las sesiones, lo que realmente define la cultura sound system es el sentido de pertenencia que genera.
“Para nosotros significa formar parte de una comunidad que va mucho más allá de la música. Es un camino que llevamos recorriendo desde hace más de veinte años y que ha moldeado nuestra forma de pensar, de relacionarnos y de vivir. El sound system no es solamente un equipo de sonido o una sesión; es compartir, crear vínculos y construir espacios donde las personas puedan reconocerse y sentirse parte de algo.”
Esa concepción también ha acompañado la evolución de la escena italiana durante las últimas dos décadas. Cuando comenzaron, recuerdan, predominaban las fiestas de dancehall y los conciertos en vivo. Con los años, las sesiones de roots y dub fueron ganando espacio hasta conformar un panorama mucho más diverso, donde distintos estilos conviven dentro de una misma cultura.
En ese recorrido hubo una comprensión que terminó marcando el rumbo del colectivo. “Entendimos que el reggae y el dub necesitan del sound system para expresarse plenamente. Es su instrumento natural, de la misma manera que la voz lo es para un cantante.”
Aquella certeza cambió su forma de asumir el proyecto. El sistema dejó de ser un simple medio de reproducción para convertirse en una herramienta cultural capaz de transmitir un lenguaje, una historia y una forma de relacionarse con el público.
A pesar de la vitalidad de la escena, los desafíos siguen siendo importantes. Para ellos, el principal no está relacionado con el sonido ni con la tecnología, sino con el acceso a espacios donde esta cultura pueda seguir desarrollándose.
“La gran tarea es recuperar espacios culturales y sociales adecuados. La cultura sound system nació en la calle y tiene un espíritu profundamente comunitario. Creemos que debe seguir siendo accesible para todo el mundo y no quedar limitada únicamente a los clubes.”
A esa realidad se suma la fragilidad que atraviesan muchos proyectos independientes en Italia. “Existe poco apoyo para la cultura y para la música, y el menor poder adquisitivo del público hace cada vez más difícil sostener proyectos underground a largo plazo.”
Sin embargo, después de más de dos décadas, el colectivo sigue convencido de que el valor del sound system no depende únicamente de la potencia de sus cajas ni del peso de sus bajos. Está en la capacidad de reunir personas alrededor de una misma vibración, de fortalecer vínculos entre generaciones y comunidades, y de recordar que el reggae continúa siendo un lenguaje vivo cuando conserva su dimensión colectiva.
En una época marcada por el consumo individual de la música, su apuesta sigue siendo la misma que en 2004: hacer del sound system un espacio donde el sonido también construya comunidad.
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Dani Pimenta é jornalista musical, DJ e produtora cultural. Está sempre atenta às tendências e novidades da música independente mundial. É fundadora e editora do Groovin Mood.
