Aghata Saan nos controles: conheça os lançamentos do selo Saan Records

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Aghata Saan é um nome bastante conhecido no sound system aqui de SP. Cantora, seletora e também produtora musical, a multiartista lançou recentemente seu próprio selo, Saan Records, e já começou daquele jeito. Seu lançamento, o som “Sound System”, chegou com três versões: a original lado A, o lado B “Dub System” e a versão que saiu no último dia 3 de maio na voz do cantor Guux, “Only Good System”. Peso!

Conversei com Aghata pra entender como anda seu processo criativo, seu trabalho, e o que espera para o futuro. Se liga na conversa!

Groovin Mood: Há quanto tempo você descobriu a afinidade com a produção musical? Como se deu esse processo?

Aghata: Sempre me arrisquei a tocar instrumentos desde criança, por influência do meu avô Nelson que era multi-instrumentista e tinha em uma banda de forró e pela família no geral, que sempre teve a música como algo natural. Meu primo e irmã também tocavam cavaquinho, teclado e violão.
Aos 14 comecei a tocar teclado na banda de reggae chamada D. Roots e depois, tocando violão e cantando MPB em bares. Nisso alguns amigos meus que tinham grupos de rap faziam seus beats no PC e eu achava muito interessante, mas ao mesmo tempo distante da minha realidade, parecia algo muito difícil. Eu sempre gostei muito de reggae e nesse meio musical acabei esbarrando no Sound System e me apaixonei pelas músicas, pelo movimento e, ao conhecer melhor as vertentes, senti vontade de unir e expandir a arte musical que já havia dentro de mim. Porém continuava acreditando que era muito difícil fazer os famosos riddins e fiquei um tempo sem ter coragem também de cantar nas sessões por não ser algo ensaiado e combinado como era antes e continuei a vida.

Já tinha feito 4 semestres de Rádio e Tv, curso de som para cinema e vi que minha área era essa. Comecei a fazer sonoplastia na SP Escola de Teatro e lá enfim eu tive aulas de produção musical, que me fez entender os processos de gravação e mixagem e desmistificar o computador como instrumento e ferramenta. Comecei a fazer trilhas utilizando o Ableton live. Nisso eu já tinha me jogado no reggae hahaha, feito coletivo de sound system e eventos em Itapecerica e Capão, tinha algumas letras e cantava em algumas sessões quando I-Sarana me falou do projeto que estava rolando no Rio para jovens cantores, produtores e djs da cena sound system. Este evento, que aconteceu no Circo Voador (RJ), teve 10 alunos classificados e, depois de um processo de 3 dias produzindo e se apresentando, 2 destes seriam selecionados para continuar o processo em Londres, e eu fui uma das escolhidas. Lá eu tive aulas de produção musical do Spider J, que trabalha com o Lee Perry entre outros artistas, produzi um tune com ele e me habituei desde o início do processo a soltar o tune e cantar em uma apresentação no próprio Roundhouse, local que nos acolheu, e outros lugares como Brixton.

Voltei com essa bagagem e uma pulga atrás da orelha. Demorei ainda um ano para entender que essa era minha missão, gravei um álbum com outros produtores – que não deu muito certo – e como já estava com muita vontade de produzir me joguei pro Ableton e tutoriais no youtube, comecei a me aprofundar de uma forma mais completa, comprei os equipamentos necessários que faltavam e rolou. Uffa!

Groovin Mood: Como foi construir sozinha seu single, da letra ao instrumental?

Aghata: Eu fiz alguns riddims antes desse, steppas, digital, algo mais pro newroots, sons experimentais e achava que nada estava bom. Parei, respirei e prestei atenção no que mais me atraía – que no momento é uma música eletrônica mais leve, um dubstep mais deep, liquid drum and bass, house e claro dub… E aí fiz esse riddim. Depois que eu finalizei ele comecei a pensar na letra e melodia que cabiam, e aí veio o tema na mente. Tentei passar um pouco do que sinto ao estar no sound system e falar dessa cultura que me motivou a seguir o caminho da música underground. Foi difícil fazer a melodia do vocal após tantos dias ouvindo o mesmo riddim, me acostumei com o piano, com o baixo e o vocal sempre tendia a ser algo parecido com o que os instrumentos já estavam fazendo, viciei no som, hahah mas depois fluiu.

Groovin Mood: Você também criou um selo. Pra você, essa autonomia em diversas fases da criação e divulgação de um som representa o que?

Aghata: Sim, o Saan Records surgiu da necessidade de eu ter essa autonomia. Quando comecei tive problemas para profissionalizar meu trabalho como MC no reggae, os riddims exclusivos não eram acessíveis, não temos muitos produtores que trabalhem com a música reggae como produto, era difícil comprar um riddim exclusivo se você não era da cena, a galera pira tanto com esse lance de exclusividade que não comercializa tanto os tunes como os beats no rap por exemplo.

Eu sou exigente, prefiro ficar horas fazendo a mesma música até ela ficar do jeito que eu quero, e assim é bom, porque eu faço a música exatamente como eu quero e trabalho nela o tempo que eu precisar.
Tive problemas com selos e demais produtores que trabalhei, perdendo assim quase todo meu material artístico produzido, então, para eu, minhas amigas e amigos que precisam ter seus trabalhos lançados e produzidos de forma profissional não correrem esse risco tive a ideia de fazer o meu próprio selo, para ajudar os manos e principalmente as manas e monas que estão começando e precisando trabalhar sua arte de uma forma séria e segura, para fazer a cultura acontecer gerando material feito também por mulheres.

Deixo aqui um recado final: acreditem no seu potencial, vá atrás do seu sonho, estude bastante, desvie dos buxixos e não pare pra descansar. Nós mulheres precisamos dominar o mundo logo e juntas!

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